Arquivo da categoria: Mirtes Mathias

Subindo o Moriá

Eu queria tanto que quando o amor chegasse, fosse um sentimento lindo,
Que nos permitisse seguir sorrindo de mãos dadas em direção ao céu.
Sei que fostes testemunha, Senhor, de minha luta contra qualquer sentimento que viesse me afastar de Ti
No entanto aconteceu, e já não é mais um simples caso de opção… é uma BATALHA!
Se me chamas, Senhor, porque não também a ele (a)?
Minha causa entrego aos teus cuidados…
Sou frágil demais para decidir…
Tu, que me amaste a ponto de morrer por mim, que me levou a ser representante tua (teu)
Tu, para quem o futuro é um eterno presente…
Vê – Julga – Decide, não me obrigues a escolher!
Um senhor jamais consulta a vontade de sua escrava, apenas ordena:
Vai – Vem – Faça! Age comigo assim!
Mas, já que vês o meu interior, se me queres distante daquele (a) que me quer, lembra-te de que sou fraca.
Liberta-me, mas de um jeito que eu não venha a sofrer demais…
Não sei como isso pode ser feito, se ninguém consegue perder uma parte de si mesmo sem quase enlouquecer de dor.
Por isso, apelo ao teu poder, Senhor!
Se o (a) abandono, meu caminho se cobrirá de lágrimas e saudades.
Se eu fugir a sua ordem, jamais serei feliz… ninguém te desobedece sem pagar o preço.
Não apelo a tua justiça, porque nada mereço, à tua misericórdia entrego o meu Problema.
“Obedecer é melhor que sacrificar” é um bonito lema… mas, quando a obediência envolve um sacrifício, o que é preciso fazer?
Se eu pudesse unir: meu amor ao teu querer, minha paixão ao dever…
Trago como lenha meus sonhos, como holocausto meu amor, como esperança: “o Senhor Proverá”
Cada momento que passa, a escolha fica mais difícil…
Se tem que haver uma ferida que seja feita agora, que sejas Tu o autor, porque só Tu tens poder para fecha-la.
Não é fácil ir ao monte para sacrificar.
Posso sentir agora a profundidade de “Que seja feita a tua vontade” ao depor meu coração em teu altar.
Aceita-o, Jesus, faz-me uma benção. Um caminho para tua luz…
Que minha dor ajude aos que esperam em mim.
Que a renuncia tenha por fim trazer muitas almas aos teus pés
Jesus”.

Anúncios

Súplica de um Jovem

Senhor, seria ingênuo e ridículo,
Se não fosse tão sincero o anseio.
Mas a quem buscar, com este coração sensível,
Este corpo frágil, e esta alma que sonha,
Se não a ti que me conheces,
Pois que me fizeste?
Quero amar alguém, Senhor, mas alguém
Que me ajude a chegar cada vez mais perto de Ti.
Reconheci que a felicidade é relativa,
E proporcional à proximidade Tua.
De que me aproveita ser admirada, querida
por alguém que não te conhece,
que não te reconhece como Senhor,
e amigo verdadeiro?
Quero ser para aquele que te peço,
Uma das demais coisas que lhe acrescentas,
Porque antes te buscou primeiro.
Quero um amor tão forte e duradouro
Como uma prova que de Ti desceu.
Capaz de compensar minha fragilidade,
Que, tendo como meta a eternidade,
Já na terra seja um pedaço de céu.
Não te peço um Davi de Miguel Ângelo,
Nem um César com poder na mão:
Peço-te um homem verdadeiro,
que eu possa chamar de “companheiro.”
que antes de esposo seja meu irmão.
Quero alguém que eu admire tanto
E que saiba tanto se fazer amar,
Que eu não me importe de diminuir
Para fazer grande o comum porvir
Do qual eu me orgulhe de participar.
Quero-o de joelhos diante de Ti,
Mas de pé diante do mundo cruel.
Que nada tema senão te ofender,
Que nada busque senão Teu querer,
Nos dias de hoje, um outro Daniel !

Há um Deus em Tua Vida

Quando te vejo tão acomodado ao mundo
que te cerca,
como a água tomando a forma do vaso
que a contém,
eu me lembro de um Rei coroado de espinhos,
arrastando uma cruz pelos caminhos,
pelas ruas de Jerusalém.

Quando te vejo tão preocupado com rótulos
e comodidades,
tão desejoso de aparecer,
eu me lembro de um jovem-Deus perdido no deserto,
onde só feras e anjos O podiam ver.

Um jovem-Deus que te entregou um dia
o privilégio da Grande Comissão,
o Qual negas com tua covardia,
sucumbindo a promessas
que te falam à carne e ao coração.

Quando te vejo tão ocupado em construir
celeiros,
ajuntando fortunas que o ladrão pode roubar,
eu me lembro de um Deus caído sob tuas culpas
sem o conforto de uma pedra para repousar.

Quando te vejo conivente com aquilo
que Ele aborrece,
ao ponto de ocultar a Herança que Ele te legou,
pergunto: Seria falsa a promessa que fizeste
ou o amor que tu Lhe tinhas era pouco
e se acabou?

Onde está teu grito de protesto,
que já não escuto?
Tua atitude de inconformação?
Será que te esqueceste do santo compromisso
ou te parece pouco o privilégio da tua missão?

Por que tremes diante do mundo,
temendo por valores que só servem aqui?
Será que Cristo te escolheu em vão
ou será que já não existe um Deus
dentro de ti?

Tu estás no mundo, mas não és do mundo.
Não escolheste – foste escolhido.
Por que te encolhes ao ponto
de seres grande pelo padrão dos homens,
comprometendo tua autoridade
de condenar um mundo corrompido?

Foste escolhido para uma missão tão grande
que nem a anjos foi dada a executar:
não te assustem ameaças,
não te seduzam promessas,
numa obra eterna, é melhor morrer do que negar.

Lembra-te que há um Deus em tua vida
que os teus atos devem glorificar